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18 de janeiro de 2009

há sempre alguém

É do Tiago, o comentário. Dele já conhecem a dedicação, a sensibilidade, a inteligência, a lucidez acutilante, a verticalidade. Sabem da fogosidade interventiva da sua juventude, da generosidade sem limites. Trago-vo-lo aqui novamente, em vésperas de mais um dia crucial na vida dos professores portugueses. Porque 'há sempre alguém que nos merece'.

«Falou-se (…) do que é ser aluno e que mudou muito, com a alteração, nomeadamente, da carga horária semanal. Estou agora no 12º ano, passei sempre, mais ou menos "tremido" (quase sempre para o menos "tremido"...), apenas com uma negativa o ano passado, no final do 1º período, a matemática A. Mas confirmo a existência de uma mudança profunda quer no lado docente quer no lado aprendiz.

Lembro-me de, desde o 5º até cerca do 8º ano, ter aulas no período da manhã, com uma aulita (quando a tinha) de 45 minutos na parte da tarde. Geralmente de Educação Física e, muitas vezes, à 6ª feira, para "descomprimir" a semana. Agora tenho um horário bastante acessível, com tempo livre que é muito bem servido por nós (alunos), quer seja para irmos à nossa vida, quer seja para estudarmos.
Mas olho com alguma tristeza para o horário de uma prima minha que entrou este ano para o 7º ano e que vive a um ou dois quilómetros de casa, perto de uma zona problemática. Tem de entrar na escola às 8 e meia da manhã e sair, muitos dias, às 6 e meia da tarde. Isto sem possibilidades de meios de transporte, vai sempre a pé. O mesmo se passa com o meu primo que entrou para o 5º ano, morador dessa mesma zona problemática.
Há uma frase, um ensinamento de vida, de que gosto muito: "O idiota é o que se cala perante o que não sabe. O verdadeiro estúpido é o que fala do que não sabe". Agora, este governo, estas políticas educativas, são as verdadeiras estupidezes, a verdadeira palavra transformada em lei de quem fala do que desconhece: a realidade das escolas. Por que incham de orgulho quando se lhes diz que a média nacional de matemática subiu 4 valores? Os portugueses baixariam 4 valores perante exames de outros países. Não é culpa dos professores. Eles fazem o que podem, muitas vezes muito mais! A culpa é de um programa sem margem de manobra que não deixa compensar falhas e enganos que tenham surgido em anos anteriores. A solução para um programa mal "programado"? Exames fáceis "para ver se safa a coisa". O verdadeiro estúpido é o governo, que emite decretos e estatutos sem conhecer a realidade. O idiota é o eleitorado que o elegeu, mas não teve culpa: antes da tempestade (leia-se eleições) vem sempre a calmaria.

A realidade dos alunos de hoje é muito diferente. Olho para os alunos de 3º ciclo de hoje, com as suas mochilas a rebentar pelas costuras (literalmente, não no sentido figurado), com uma má vontade (haja alguns que ainda quebram a média! De louvar!) de ir às aulas, com muito mais tempo de aulas que aquilo que eu tinha (35 horas, bolas!) e a única coisa que me vem à cabeça é uma palavra feia que não vejo conveniente colocar aqui.
Depois olho para os professores: cansados depois de uma noite mal dormida, sem rendimento por causa de uma gripe que não puderam tratar porque não tiveram margem de manobra para ir ao médico e medicar-se convenientemente, com uma má-vontade de aturar um bando de cerca de 30 alunos, ouvi-los a todos, responder às suas dúvidas, dar a matéria de um programa extensíssimo e ultra-condensado, fazer esquemas, fichas e apoios tais... E, mais uma vez, me surge a palavra feia. E vejo a diferença dos alunos de hoje e dos alunos de ontem (eu fico algures no meio, que apanhei ainda as duas alturas). E vejo a diferença entre os professores de hoje e os professores de ontem. E penso que para ter havido tanta mudança ao nível destes dois conjuntos a culpa não é dos conjuntos. É de alguém acima, alguém que "manda". O verdadeiro estúpido.
E quando olho para o conjunto, de alunos de hoje, com professores de hoje, vem-me outra vez a palavra feia à cabeça e desta vez não se fica por aí, digo-a baixinho, murmuro-a. E a seguir, "enfim"... »

postado por al
quadro de Franz Marc

11 de dezembro de 2008

poema-'anti'

A imagem ao lado é de Keith Haring (ver tb, aqui, o site q lhe é dedicado)
e - tel quel :-), aqui em baixo, da Vanessa (11.ºD), um gesto simpático, dos que nos põem um sorriso embevecido:

Cucu =) Vou enviar-lhe o ''poema'' feito na aula de inglês:

You're What You Buy

People are vicious, why?
They don't use everything they buy.
Advertisements tell us the perfect lie
Hiding that we are what we buy.

Caring about culture
Is a virtue of only a few
Destroying our nature
Affects both old and new.

After a brief study
Guess what I found ?
Money really makes the world go round!

Beijos, da Ana Mestrinho, do David Caramelo, do João Belo e da Vanessa =)

al

9 de novembro de 2008

aos nossos alunos

Pelo muito que me tocou, publico aqui um comentário que o Tiago Martins, do 12.ºC, deixou ontem no 'post' do Caetano Veloso:

«(...) não será talvez o espaço indicado, mas era só para deixar aqui o meu apoio incondicional a todos os professores que hoje se foram manifestar! Um bem haja para todos vós! Só quem está em contacto com estas pessoas sabe o quanto elas sofrem diariamente, a quantidade de cansaço e arrisco-me a dizer, tristeza, que todos os dias levam com elas - e não desistem! Sem dúvida os professores merecem uma maior dignidade! - que lhes está, aos poucos, a ser retirada! Cumprimentos a todos e um bom fim-de-semana! »

OBRIGADA, Tiago, muito, muito! E obrigada a todos os alunos (desta, de todas as escolas) que nos sabem ‘ler’, que nos apoiam. São vocês que dão sentido ao nosso trabalho! São vocês que, apesar de todas as "cegueiras" (..) , nos 'agarram', ainda, a esta profissão!

E em que outro espaço, Tiago, que não este (.... de comunicação com alunos, professores ...), faria mais sentido a declaração de uma solidariedade tão do fundo da alma, tão generosa, tão totalmente 'incondicional' ? Afinal, a expressão mais inequívoca dos afectos que vamos construindo, alunos e professores.

Porque EDUCAR é, também, (sobretudo?) 'criar laços' - indestrutíveis e para sempre!

OBRIGADA, Tiago, obrigada, AMIGOS!


postado por ana lima, uma dos 120.000 que ontem estiveram em Lisboa