3 de fevereiro de 2009

Alfred Gockel

'prints', de Alfred Gockel , um pintor abstracto que me gusta ..

uma galeria com a sua obra, e um minuto e meio de imagens:

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surpresa 2

adivinhem quem apareceu por aqui .. again ..
têm de ir aos comentários ..

ao lado, 'moved by the music', de alfred gockel


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1 de fevereiro de 2009

no me llames extranjero

«O apocalipse dos trabalhadores (comentário 4 posts abaixo), é uma manifestação do meu espírito igualitário, esta vontade enorme que tenho de que possamos ser felizes sobretudo por não nos espezinharmos uns aos outros. O combate à xenofobia foi o primeiro tópico do livro. Quis escrever sobre o quanto considero nojento que recebamos mal quem para cá vem, quando é da natureza do português ir para fora trabalhar (...)»

Partindo destas declarações do escritor Valter Hugo Mãe
, aqui vos deixamos um vídeo comovente, com a música e a voz poderosa do cantautor e poeta argentino Rafael Amor (no nome, site oficial; biografia em espanhol aqui) :

no me llames extranjero

tradução do poema, aqui

e a conhecidíssima canção clandestino, de Manu Chao

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31 de janeiro de 2009

Prémio Europa-David Mourão-Ferreira 2008

Jacinto Lucas Pires foi distinguido coom o Prémio Europa-David Mourão-Ferreira 2008 pela sua obra Assobiar em Público. O livro é uma recolha de 22 contos, alguns dos quais inéditos, de Jacinto Lucas Pires.
Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto em 1974. Vive em Lisboa. Em dez anos publicou quatro livros de teatro, cinco livros de ficção e um de viagens.
O Prémio Europa - David Mourão-Ferreira é instituído pelo Centro de Estudos Lusófonos–Cátedra David Mourão-Ferreira da Universidade de Bari e do Instituto Camões. Este prémio tem o objectivo de difundir a língua portuguesa e as culturas dos países lusófonos homenageando o poeta David Mourão-Ferreira e favorecendo a divulgação das obras dos autores premiados através de um plano coordenado de traduções nos países da União Europeia e do Mediterrâneo.
O prémio conta com o patrocínio do Instituto Camões, da Universidade de Bari, da Câmara de Bari, da Região Apúlia, do Banco Unicredit e de outras Entidades italianas e estrangeiras. Este ano, presidiu ao júri Eduardo Lourenço.
fonte aqui

a nova geração de escritores portugueses: aqui

postado po al

John Martyn

Fiquei a saber da sua morte pelo blogue do vhm, casadeosso. Não conhecia, achei bonito, intimista:

John Martyn, 'May you never'

aqui, noutra versão: o mesmo cantor??!! agradecem-se esclarecimentos..

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29 de janeiro de 2009

as paixões, os livros: o apocalipse dos trabalhadores

acabei de ler o apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe (pois.. tudo em letra pequena, que ele não gosta de maiúsculas!:-)). tempo, então, de me sentir órfã, como sempre acontece depois que uma obra maior me agita e desassossega, me preenche, me adopta.
  • não sei se é a fluidez da escrita, o registo oral parecendo fácil assim transposto, a natural integração dos diálogos, numa técnica que me soa ‘saramaguiana’.
  • o carácter agridoce dos seus personagens, tão vulgares, simultaneamente, tão sublimes.
  • a criatividade, a imaginação deliciosamente delirante.
  • ou se é a transgressão formal, a pontuação reduzida ao mínimo, praticamente só vírgulas e pontos.
  • será antes, talvez, a capacidade invulgar de elevar um quotidiano cinzento a uma claridade de nuvens. de transportá-lo ainda além, até às portas do céu: uma praça pejada de vendedores ambulantes (uma rebaldaria), onde a maria da graça espera grita insulta desespera, e o são pedro, casmurro: vai-te embora, mulher, não entendes que não vale a pena morrer de amor.
  • será, também, o desfazer da lógica que, simples, se torna evidência incontornável. ou o humor posto assim, naturalmente, na ‘pessoa’ de um cão chamado portugal: cala-te, palerma, onde é que já se viu um país a ladrar.
  • ou então, o amor a-final da quitéria tornada indefesa pelo toque desse homem que se desiste máquina, desse jovem ucraniano (sete milhões de mortos de fome nas décadas de 20 e 30 do século vinte, sabiam? ..), desse andriy filho de ekaterina farol-casa-parede-mestra, cansada ekaterina, ekaterina desmaterializando-se, andriy filho de sasha-louco: imagina-me sorrindo, filho.
  • os personagens expondo-se, inteiros, e nós entrando-lhes dentro. e eles insinuando-se, entranhando-se. e corrompendo-nos, como o maldito-amado-senhor-ferreira à mulher-a-dias maria da graça: ensinando-lhe goya, os artistas que são capazes até de surpreender o criador. e o requiem de mozart, o volume posto no máximo, anunciando-lhe a despedida, emoldurando-lhe a final celebração.

só a paixão pode, num momento de afinidade com a vontade de deus, resultar numa obra tão impossível, e isto é fernando pessoa. ou, como diz o próprio vhm, "uma escrita por dentro da pele". é esse, certamente, o segredo, o fascínio deste romance. isso, e o amor imenso que dessa escrita se desprende. a cada folha lida, partilhada, volatilizando-se. contaminando-nos. porque o amor não cabe quieto no espaço tão pequeno que é o corpo de uma mulher. no de um livro também não.

obrigada, valter hugo. e que venha um romance novo, depressa, urgentemente.


todas as frases em itálico são transcrições de 'o apocalipse dos trabalhadores'

uma entrevista ao autor, aqui

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2 poemas de Sophia

DATA

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça




Sophia e escritores seus contemporâneos, aqui


PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



no desenho: link para uma entrevista
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28 de janeiro de 2009

A rapariga que roubava livros, de Markus Zusak

Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.
fonte: aqui

O romance é do jovem escritor australiano
Markus Zusak e eu tb o li: achei-o .. uma delícia: divertido às vezes, dorido quase sempre, e de uma ternura .. como só as crianças. Ou a morte: esta, a narradora..

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27 de janeiro de 2009

aprender com os melhores

Espantoso como eles já sabiam isto, no século XVI! (e vão 5..) E atenção, que não se trata de uns quaisquer teorizadores menores, longe disso! Eles são, nada menos, que os (alegadamente? reconhecidamente?) maiores educadores de todos os tempos: os Jesuítas!!!

Ora então vejam, e aprendam..


RATIO STUDIORUM (*)
da Companhia de Jesus (1599)- excertos

“Nada deve ser mais importante nem mais desejável (…) do que preservar a boa disposição dos professores (…). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (…).” “Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações.”
“Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo.”

Incentivar e valorizar a sua produção literária: porque “a honra eleva as artes.”

“Em meses alternados, pelo menos, o reitor deverá chamar os professores (…) e perguntar-lhes-á, com benevolência, se lhes falta alguma coisa, se algo os impede de avançar nos estudos e outras coisas do género. Isto se aplique não só com todos os professores em geral, nas reuniões habituais, mas também com cada um em particular, a fim de que o reitor possa dar-lhes mais livremente sinais da sua benevolência, e eles próprios possam confessar as suas necessidades, com maior liberdade e confiança. Todas estas coisas concorrem grandemente para o amor e a união dos mestres com o seu superior. Além disso, o superior tem assim possibilidade de fazer com maior proveito algum reparo aos professores, se disso houver necessidade.”

"I. 22. Para as letras, preparem-se professores de excelência
Para conservar (…) um bom nível de conhecimento de letras e de humanidades, e para assegurar como que uma escola de mestres, o provincial deverá garantir a existência de pelo menos dois ou três indivíduos que se distingam notoriamente em matéria de letras e de eloquência. Para que assim seja, alguns dos que revelarem maior aptidão ou inclinação para estes estudos serão designados pelo provincial para se dedicarem imediatamente àquelas matérias – desde que já possuam, nas restantes disciplinas, uma formação que se considere adequada. Com o seu trabalho e dedicação, poder-se-á manter e perpetuar como que uma espécie de viveiro para uma estirpe de bons professores.

II. 20. Manter o entusiasmo dos professores
O reitor terá o cuidado de estimular o entusiasmo dos professores com diligência e com religiosa afeição. Evite que eles sejam demasiado sobrecarregados pelos trabalhos domésticos."


(*) ratio studiorum (do latim: plano de estudos: uma espécie de manual de pedagogia)

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26 de janeiro de 2009

jazz: M.ª João e Mário Laginha

do álbum 'Chocolate' (2008): letra: Alan Jay Lerner / música: Frederick Loewe ; voz: Maria João; piano: Mário Laginha
Ive Grown Accustomed to His Face

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na Y- blogosfera: Queque com Passas

São 2 + 4. Dos 4, 1 mudou-se da António Gedeão para a Emídio. 3 são meus alunos este ano e têm .. uma 'latosa' que só visto. Ora leiam: «Ora bem, depois de pedincharmos, a nossa professora de Inglês veio ao nosso blog e comentou-o (só a pedinchar é que as pessoas comentam, ai, ai...). »
Pois .. pedincharam mais uma coisita, e eu até fiz (horror!!..) chantagem, qq coisa do tipo: ou vão ao ESAGBIB deixar um comentário, ou não têm publicidade grátis! :-)) - o facto é q resultou, e por isso aqui estão hoje, com todo o destaque: ladies and gentlemen, Y and O, os ....... queque com passas!!! - basicamente dois amigos com muita criatividade, muito humor, muita vontade de fazerem coisas. Os outros 4, calculo que sejam 'contratados' à tarefa .. :-)) ?

Então o blogue, que até agora era «podcast/blog» e pelos vistos (ainda não decidiram..) vai deixar de o ser, porque o André e o Tiago já quase esgotaram o espaço disponível com a rubrica "a tua musiquinha não é melhor que a minha" : eles fazem teatro; filmam o teatro; colocam o vídeo no youtube e publicam-no no seu probably-about-not-to-be-a-podcast. Mais:
  • eles representam de pijama.
  • eles não têm falsos pudores, nem de linguagem.
  • eles odeiam os Megadeth ..
  • eles postam uns comentários, às vezes: aqui .. e ali, na coluna à direita..
  • eles divertem-se que nem macacos em dia de comer bananas (ñ se ofendam, foi só .. uma tentativa de 'entrar' na vossa onda .. :-))
  • eles, parece-me, têm muito pouco tempo para estudar. Vá lá professores, entendam, são dois artistas portugueses!
  • eles são .. o .. QUEQUE COM PASSAS!
o link, aqui - e divirtam-se!

quadro: 'meine Freunde' (os meus amigos), de Marika Raake

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eclipse com anel

Uns quantos sortudos que estejam hoje lá para os lados do Oceano Índico poderão apreciar um acontecimento raro, quando um eclipse solar anelar transformar o sol num disco negro com uma luminosa coroa à volta, em forma de anel.

Nos eclipses solares, a lua posiciona-se entre o sol e a terra, projectando a sua sombra na superfície terrestre. Um ligeiríssimo desacerto no alinhamento dos 3 astros leva a que a lua não cubra completamente a face visível do sol, como acontece nos eclipses totais, assim dando origem ao deslumbrante eclipse anelar.

fonte: aqui
explicações mais científicas e outras imagens de eclipses: aqui

e, por sugestão de uma visitante imprescindível.., um vídeo


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24 de janeiro de 2009

a música como arma: Adriano Correia de Oliveira

clicar na foto para ouvir A.C.O.

  • porque atrás dos tempos vêm tempos..
  • porque, de novo, este é o tempo em que os homens renunciam ..
  • e porque só estas canções me parecem, agora, fazer sentido ..

    - um site que as reúne quase todas: AQUI
  • ao meio, onde diz "canções de intervenção", ir seleccionando.. É só clicar para ouvir .. eu gosto muito da n.º 19: CANÇÃO COM LÁGRIMAS, música e voz de Adriano Correia de Oliveira, letra de Manuel Alegre: dedicada a um amigo que morreu na guerra colonial

no vídeo:trova do vento que passa: "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz: NÃO! "

quando morreu o Adriano, dele disse Zeca Afonso: "Desapareceu o último cantor de intervenção."

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23 de janeiro de 2009

quando os lobos uivam

  • Quando os Lobos Uivam: romance (censurado) de Aquilino Ribeiro
  • série (baseada no romance homónimo de Aquilino Ribeiro) sobre a saga dos beirões em defesa dos terrenos baldios durante a ditadura, adaptada por Francisco Moita Flores
  • justiça da noite
    : na ilha Terceira: a mesma luta contra a abusiva apropriação de terrenos baldios que, segundo o direito consuetudinário insular, pertenciam aos povos das freguesias, como logradouros comuns
  • Edição comemorativa
    do 50.º aniversário da 1.ª edição de 'quando os lobos uivam': prefácio inédito de Álvaro Cunhal; 20 ilustrações de João Abel Manta
  • espécie em risco de extinção: o
    lobo ibérico [página do Grupo ecologista Lobo] : canis lupus signatus [página dedicada a um dos animais mais belos, inteligentes e misteriosos ..]

o quadro: Aquilino Ribeiro, por Artur Bual

no vídeo: a beleza (a tristeza) dos lobos, da música andina:

oiçam-nos, vejam se não vos apetece também .. .. ..


sejamos o lobo do lobo do homem .. (caetano veloso, 'língua')

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e vão 3: CANSAÇO

na A. R. , hoje, pela 3.ª vez !! ... mais explicações para quê?

Parece-me é haver qualquer coisa de muito incongruente, nisso a que chamam 'disciplina de voto' : votar não é escolher? não é optar? decidir de livre vontade?

E não é o 'disciplinar' da consciência, do querer, um atentado à própria liberdade? Uma censura - e descarada ? Quem encontrar nisto algum sinal de que estamos em democracia que me explique, sff..


O largo número de deputados, a própria existência de uma Assembleia, não era suposto garantir a pluralidade de ideias e opiniões?
Existindo a disciplina de voto (e apenas para as questões cruciais!), bem poderia haver um único deputado por partido, tendo os seus votos peso proporcional ao da votação do respectivo partido nas legislativas. Eram só vantagens:
  • podiam reunir na casa de um deles- ou decidiam por mail, ou por SMS:
  • libertavam o espaço para outra coisa: um museu, um local de acolhimento para os sem-abrigo, qualquer coisa útil.
  • poupavam-nos, a todos, ilusões e muito, muito dinheiro!

sem mais.. :
- em cima, o quadro, 'Cadavre Exquis', de Cruzeiro Seixas
- o poema, em baixo, de um heterónimo de FP, Álvaro de Campos


Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos

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22 de janeiro de 2009

outras músicas: Léo Ferré

« o louco inspirado, o poeta profético, aquele que sempre, e cada vez mais, pertencerá ao futuro, atravessou os céus da Europa no século passado como um cometa incendiário ... »
Era anarquista e chamava-se Léo Ferré . (cliquem no nome, vão dar a um site incrível!).

- e não percam, no vídeo, uma interpretação espantosa, misto de teatro e música, assim como um panfleto - cúmplice, libertário, provocatório:

LA SOLITUDE



a letra, aqui / um cheirinho: «o desespero é uma forma superior de crítica»

e ainda .. vejam q vale a pena: uma página na ESAG dedicada a mais umas quantas figuras maiores da cultura francesa : aqui

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indie rock: Arcade Fire

Pois é.. já há muuuuito tempo que não vos dávamos música, verdad? Então aqui vai .. um vídeo de uma banda canadiana de indie rock (clicar se ñ souberem o q é..) que já foi visto por mais de um milhão de pessoas. A acompanhá-los, um músico britânico que não precisa de apresentações:

The Arcade Fire & David Bowie, live:

WAKE UP



aqui, as letras dos Arcade Fire

e mais : um óptimo vídeo promocional: Rebellion (Lies): aqui

já disse antes, não é? no Cemitério de Pianos, o J. L. Peixoto tb usa 2 pontos várias vezes na mesma frase!:-))

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21 de janeiro de 2009

escritores na escola: Ana Mª Magalhães

Esteve hoje na Biblioteca da Esag a escritora Ana Maria Magalhães, co-autora, com Isabel Alçada, de várias colecções de livros infanto-juvenis que vêm, de há anos, entretendo e ensinando gerações de jovens leitores. Uma das mais conhecidas é a série "Uma Aventura", cujo sítio pode ser consultado aqui.

Foi, no entanto, no âmbito da colecção "Quero ser", que a escritora aqui foi hoje homenageada por um grupo de alunos da turma de teatro do 7.º ano.
Ei-los, na imagem à direita, entrando em cena com a sua professora e encenadora, Ana Gouveia. Os jovens alunos representaram uma cena do livro "Quero ser actor" e.. tiveram sucesso e muitas palmas, pois claro!


Depois da representação, foi a vez de Ana Maria Magalhães responder às várias questões de uma plateia interessada, que, nas palavras de despedida da escritora, mereceu elogios rasgados pela lição de cidadania, pela imagem do 'lado positivo da escola' que soube transmitir. Todos muito jovens, compenetrados, atentos. Todos alunos de várias turmas do 7.º ano, que nas aulas de Língua Portuguesa prepararam, com empenho e entusiasmo, a vinda da sua escritora, a nível de intervenções, pesquisa de dados, preparação de guiões de entrevista, logística de recepção, etc, etc

A autora correspondeu às expectativas e ao empenho de alunos e professores: a todos soube prender com relatos das 'suas' aventuras, com bom-humor e uns insuspeitados dotes representativos: "Acham que a vida de actor de televisão é interessante? -Hmm, nem sempre..." - e foi um gosto vê-la representar uma cena: uma vez, duas vezes, 'n' vezes, e.. "Corta! Entrou luz na imagem, vamos repetir. ".. e .. "Corta! Passou uma mota!" Risos, e o prazer de ouvi-la falar, de ouvi-la contar..

E contou, por exemplo, da sua experiência inesquecível no Brasil - com gibóias e casas nas árvores e banhos de rio, os medos vencidos, todos, até o das piranhas!


E foi interessante saber do carácter autobiográfico daquele naufrágio-quase; e ouvir contar das lágrimas que caíram, a espaços, sobre as folhas que escreviam, as duas autoras, quando outro remédio não houve que o de matar o personagem a que tanto se tinham afeiçoado..

Ocasião rara, essa, que o mais das vezes divertem-se as duas muito, Ana M.ª Magalhães e Isabel Alçada, com as histórias que escrevem, num trabalho de parceria e criação a que tencionam dar continuidade, esperamos nós que com o mesmo prazer de sempre, e por muitos anos.

No fim, as flores, os agradecimentos, os livros autografados.

Obrigada à escritora, pela sua vinda. Obrigada aos alunos: os que a entrevistaram, os que representaram, os que tão bem a souberam ouvir. Obrigada, também, aos professores que propiciaram este acontecimento, a todos quantos partilharam este tempo.

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20 de janeiro de 2009

Barack Obama: tomada de posse

Enfrentando temperaturas gélidas, uma multidão exuberante de mais de um milhão de pessoas reuniu-se em Washington para festejar a tomada de posse de Obama. Encheram o National Mall, do Capitólio ao Lincoln Memorial. Aí, precisamente, onde, 46 anos antes (em 1963), outro grande afro-americano, Martin Luther King Jr., tinha inflamado também milhões, com o seu inspirador discurso "I Have a Dream". (clicar para ouvir, 'live')

Num país que tem presentemente 11 milhões de desempregados, que perdeu triliões de dólares em desastrosas operações da bolsa, Obama enfatizou, no seu discurso, o facto de o seu maior desafio consistir em reabilitar a devastada economia dos Estados Unidos: «O tempo de ficarmos indiferentes, de protegermos os interesses de uns quantos, e de protelarmos decisões difíceis - esse tempo, acabou!», disse Obama, no que foi uma clara 'alfinetada' ao seu antecessor e às políticas da administração Bush.
«A partir de hoje, vamos erguer-nos, sacudir o pó, começar a tarefa de reconstruir a América. E, àqueles que se agarram ao poder através da corrupção e da mentira, ou pelo silenciamento dos seus opositores, dizemos que estão do lado errado da história (...) »
Barack Obama, de 47 anos, é o 1.º presidente afro-americano eleito nos EU, assim quebrando uma barreira que gerações e gerações de etnias minoritárias tinham considerado intransponível:
«É este o momento de lembrar que todos somos iguais, todos somos livres e todos merecemos uma oportunidade para conquistarmos o nosso quinhão inteiro de felicidade.»

fonte: Yahoo

- seguir hiperligação deste post (no título) ou clicar aqui para ouvir o final do discurso de tomada de posse - eu .. fiquei arrepiada ..

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19 de janeiro de 2009

surpresa

o escritor valter hugo mãe visitou hoje este blogue, deixou um comentário.
foi .. mais uma coisa boa (muito boa), num dia de luta e de luto. *
obrigada!

pelo muito que o aprecio, escrevi à maneira dele, sem maiúsculas :-))
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*uma notícia triste: morreu o músico João Aguardela