12ºD: Adónis na poesia de Ricardo Reis.
26 de março de 2009
PESSOA VISITA A BIBLIOTECA
José Luís Peixoto na Esag
a assistência, preparando-se
10ºB muito fotogénico
o Rúben em jeitos de trovador..
os alunos que tanto se empenharam na visita de JLP:
10.ºA à esquerda, 10.ºB à direita
o meu colega de cadeira com Rafa ao lado ..
ei-lo que chega, e os primeiros autógrafos
JLP bem-acordando, agradado com a recepção ..
a professora a quem temos todos de agradecer a vinda do escritor
a difícil tarefa de cantar-tocar um texto complexo
José Luís Peixoto contando ..
.. folheando um livro de H. Helder
25 de fevereiro de 2009
preparando a visita do José Luís Peixoto
O que vos propomos (10ºA e B), é que escrevam os vossos comentários sobre o que andem a ler / já tenham lido do José Luís Peixoto .. cada post abaixo contempla um dos seus livros - é só procurarem 'o vosso', e deixarem lá uma opinião. - Pois então, " Força nas leituras!"
- Comentem o livro que leram!
Quem sabe não entusiasmam outros colegas a ler JLP?
Ficamos (ansiosamente:-)) à vossa espera!
nota: até à vinda de JLP à escola, outros posts de ana lima estarão no blogue: 'o vento que passa'
Cemitério de Pianos
Adélia (10.º B) disse... Pelas 315 páginas que já li do 'Cemitério de Pianos', acho que valeu a pena o tempo que demorei, pois o JLP é 'tão fofinho' na maneira como escreve. Fundamento isto com o facto de usar uma personagem real como base da sua história e conseguir criar um enredo a partir daí. Achei isso bastante interessante: a história começar a tornar-se real, mesmo sabendo que era ficção.postado por: ana lima
Gaveta de Papéis
Joana Costa (10º B) disse... Li o livro de poesia "GAVETA DE PAPÉIS" e pelo que percebi, o autor adora utilizar a personificaçao. A personificaçao dá vida aos seus poemas e por vezes, mais vontade de continuar a ler, mas também os torna mais difícies de interpretar. Esse foi o único ponto negativo, mas mesmo assim continuo a aconselhar a leitura deste livro, pois é um dos livros com os poemas mais bonitos que alguma vez li.Nenhum Olhar
Morreste-me
Ana Parada (10º B) disse: eu li o "Morreste-me" e as poucas páginas que contem esse livro estão todas cheias de sofrimento devido à morte do seu pai.
mais alguém leu este livro?
postado por : ana lima
Uma Casa na Escuridão
Ruben (10.ºB) disse... Já li o livro "Uma casa na escuridão": de certa forma gostei do livro, só não gostei da parte das invasões e dos mutilados e de como ele descreve muito a morte. pus aqui os meus primeiros comentários sb o que já li deste livro (1º e 2º capítulos)
(postado por A.L. há uma semana, +/-)
José Luís Peixoto (1)
O que vos proponho é irem comentando, a partir de agora, nos posts (q vou ainda pôr) sobre cada livro que tenham lido, e assim se preparava a visita do escritor.. seria assim o vosso, o meu, contributo ..
Podiam, alunos do 10.º B, era convidar os vossos colegas da turma A a participarem também nesta espécie de 'tertúlia' .. - que tal?
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E agora, como prometido (.!.) José Luís Peixoto, escritor português, galardoado com o prémio José Saramago em 2001* - dele sei .. que tem a idade do "25 de Abril", muitos piercings, tatuagens qb.
- que de si diz : Tenho um punk dentro de mim, debaixo da minha pele ...(não percam o texto:!! - 'Not dead ' - 4º post, aqui)
- que às vezes não usa maiúsculas e 'reflexivou' o verbo parar: ele, ela, parou-se, nem mais..
- que parece ser uma pessoa encantadora, e tímido, tímido (apesar de punk ..:)
- que a tristeza infinita daquele olhar nas contra-capas se tem vindo a esbater..
- que tem um humor surpreendente, delicioso: e um texto ** q o ilustra: a ler, absolutamente (aqui ao fundo)
Sei que há-de vir à ESAG (Março?) e que não vos perdoo se não me convidarem a assistir ( alô 10.º B!! .. :-)))
Sei também que José Luís Peixoto é fã (penso q incondicional) do escritor argentino Julio Cortázar, (clicar para ver post) de quem, de resto, prefaciou a edição portuguesa de "Rayuela/o jogo do mundo". Que fielmente, amorosamente, lhe adoptou/adaptou as transgressões estruturais no romance 'O Cemitério de Pianos'.
- sei, sobretudo, que escreve .. como que com o corpo todo.
- que cada palavra inserta é tão absolutamente a palavra certa, que dir-se-ia ter sido sonhada antes.
- que os seus personagens são de uma humanidade enternecedora.
- sei que a sua prosa é tão.. mas tão .. intensamente poética
- e que a sua escrita é bela e flui , que é insinuante e dolorosa , que sem apelo toma conta de nós como um 'mal de vivre' que. (Isto é uma das coisas q ele faz, acabar as frases deste modo impossível e no entanto tão rico de hipóteses, de leituras ..)
- com um texto seu, que vos dará a conhecê-lo certamente muito melhor do que eu alguma vez o faria : um escritor visita a língua portuguesa
- uma entrevista
- uma fotografia surpreendente, por aqui (+/- a meio da página, têm de procurá-la ;))
- e já agora .. nesta importada celebração q dá pelo nome de Valentine's Day, com um seu -lindíssimo- poema de amor:
mas eu lembro que o tempo é outra coisa, e tenho
fecho os olhos para te ver
José Luís Peixoto na sua saborosíssima crónica – Verdades quase verdadeiras, no JL (Jornal de Letras), acerca das pessoas que dormem nas conferências dos encontros literários:
postado por ana lima
e agora, os comentários (praticamente todos) de alunos do 10.º B:
anónimo disse...
14 de Fevereiro de 2009 9:27
al disse...
verdad, verdad, .. mas é um óptimo escritor, na minha opinião.. os alunos q aqui vierem, please, deixem nome e turma, sim? pode ser no 'corpo' da mensagem..:D
14 de Fevereiro de 2009 9:31
Ruben disse...
Já li o livro "Uma casa na escuridão": de certa forma gostei do livro, só não gostei da parte das invsões mutilados e de como ele descreve muito a morte.
14 de Fevereiro de 2009 13:37
André Gonçalves disse...
Das 37 páginas do "Nenhum Olhar" que li até agora, a minha mente infantil gosta de citar umas linhas da pág. 27. Mas isto sou eu...
14 de Fevereiro de 2009 13:48
al disse...
claro, enganei-me... 10.º B, as minhas desculpas!!!!!!!!!!!!!!!!!!e eu sei de uma pergunta q ele gostaria q lhe fizessem, mas ñ digo!! quero estar lá!!!!!!!:-))))))
14 de Fevereiro de 2009 13:58
al disse...
Ruben: ñ percebi o que queres dizer com 'invsões mutilados' ?!ñ queres explicar melhor?
14 de Fevereiro de 2009 17:22
JÔ disse...
pelo que li até agora do livro « Nenhum Olhar » devo dizer que nunca li nada assim . a maneira do autor escrever , os detalhes que ele dá , os sentimentos que expressa .. A minha sorte é o livro ser muito interessante, porque com coisas secantes eu adormeço rapidinho. Beijinhos, Stora ;D - Joana Correia 10ºB
15 de Fevereiro de 2009 0:30
André Gonçalves disse...
Por acaso não, senhora professora. São ordinarices... x)
15 de Fevereiro de 2009 0:31
al disse...
ordinarices, menino aluno?!;D - não acredito! O JLP ñ escreve ordinarices.. vou reler a tal pg 27
15 de Fevereiro de 2009 0:37
Ruben disse...
Se querem saber sobre as invasões, o melhor é mesmo ler
15 de Fevereiro de 2009 9:43
al disse...
Ruben, toda a razão, mas bem q podias deixar aqui um 'cheirinho', não? só para abrir o apetite, vá lá..e calculo, então, q os mutilados de q falas acima sejam o 'colateral damage' das invasões..pensando bem, as invasões só podem ser as francesas .. será? e isso traz-me à memória o último livro do Pérez-Reverte, "um dia de cólera" - conheces? o livro? o autor?bjis.. e volta sp! (e vê se convences o teu colega Rafael a vir aqui tb!!:-D
15 de Fevereiro de 2009 10:47
Ana Parada disse...
Olá olá, eu li o "morreste-me" e as poucas páginas que contem esse livro estão todas cheias de sofrimento devido à morte do seu pai. sinceramente, eu acho os seus métodos de escrita um pouco estranhos, pois no meu livro diz que o seu pai morreu de uma doença prolongada, enquando no livro do Ruben, "uma casa na escuridão", fala que o pai matou a escrava com uma chave de fendas e de seguida matou-se a si próprio.
15 de Fevereiro de 2009 15:37
al disse...
Oi Ana, obrigada por teres 'aparecido' por aqui! está visto q os domingos, com mais ou menos sol, são mesmo dias de 'pacholice', de ficar em casa..;)Qto aos livros do JLP: não li nenhum dos q referes, mas calculo que o 'morreste-me' seja mais ou menos auto-biográfico. Aquela dor, aquela insuportável tristeza, sente-se ainda no 'nenhum olhar', q, se ñ me engano, foi escrito no mesmo ano.Em 'uma casa na escuridão', e repito, ñ li, o "pai" será o do narrador, q ñ é necessariamente o autor .. penso q seja isso.«será que José Luis Peixoto escreve o que vive ou inventa aquilo que quer escrever? », perguntas. Pois .. muitos escritores darão vida a essa dualidade.. e haverá livros que se baseiam mais em vivências, outros que serão pura invenção.. nos dois casos,de qq forma, sempre criação literária, ñ é? Tb me parece que o desaparecimento de um ente querido tem necessariamente de deixar marcas profundas, e q a questão da morte passe a estar mais presente, pelo menos durante uns tempos ..agora.. na minha opinião, o JLP é um escritor intrinsecamente melancólico, e acho q é tb isso q torna a sua escrita tão bela, ainda que dolorosa..Às tantas tiveste azar no livro que escolheste .. por que ñ experimentas o 'cemitério de pianos', q é menos triste?bjis e .. obrigada, Ana. o teu comentário deu-me o gosto de me pôr a divagar..
15 de Fevereiro de 2009 15:58
Aldo disse...
Eu li o "Morreste-me", é um bom livro, de que até gostei. Esse livro mostra toda a dor e o sofrimento do autor pela morte do pai. E acho que o efeito da escrita que é a "repetição" faz todo o sentido ^^Aldo^^
15 de Fevereiro de 2009 22:14
Ruben disse...
Não vou dar nem um cheirinho, porque assim terão mais curiosidade de o ler :P - Vá, vou só dizer uma coisa: o meu livro retrata uma paixão diferente das outras, em que o autor comunica com ela através da escrita, e a certa altura não conseguem comunicar mais (é aí que entram as invasões e os mutilados), e mais não digo :P. E concordo com tudo o que a Ana disse, queria só corrigir uma coisa: o pai matou a escrava e a si próprio com um machado.
16 de Fevereiro de 2009 17:52
Joana Costa disse...
Li o livro de poesia "GAVETA DE PAPEIS" e pelo que percebi, o autor adora utilizar a personificaçao. A personificaçao dá vida aos seus poemas e por vezes, mais vontade de continuar a ler, mas também os torna mais difícies de interpretar. Esse foi o único ponto negativo, mas mesmo assim continuo a aconselhar a leitura deste livro, pois é um dos livros com os poemas mais bonitos que alguma vez li. e se se ler cuidadosamente e calmamente, por vezes somos capazes de encontrar toda a beleza daqueles poemas. Eu já li e não me arrependi.
Joana Costa disse...
P.S. Professora Ana...Isto também se aplica a si, se não ler vou ficar muito desiludida consigo!!! Vá lá, nao custa nada... é pequeno e muito interessante! Força nessa leitura!! JOANA COSTA Nº13 10ºB
16 de Fevereiro de 2009 17:59
al disse...
Oi lindos:que bom, o JLP parece ter-vos entusiasmado! só é pena q sejam sempre os mesmos a comentar.. q tal envolverem a vossa prof de português nesta 'tertúlia', hein? e o resto dos preguiçosos dos vossos colegas tb, claro! :-))E.. à propos: acho q, com esta partilha, já mereço q me convidem para a 'private session',como diz o André!! ^^
16 de Fevereiro de 2009 18:21
al disse...
agora para a Joana:"força nas leituras" é coisa q ñ me custa mesmo nada fazer, embora prefira romances a livros de poesia.. um pouco + difícil é comprar os livros, por isso vais ter de mo emprestar.. tenho o 'nenhum olhar' para a troca, vale? :De para todos os alunos q aqui têm vindo falar do JLP, quero q saibam q estou a a-d-o-r-a-r !!bjis, até 4ª
16 de Fevereiro de 2009 18:27
al disse...
.. por acaso alguém .. (além do André..) leu alguma coisa do q eu escrevi neste post?e..?- concordam c/ as apreciações?- leram o texto sb as pessoas q dormem nas sessões literárias?- o poema? - gostaram???;D- descobriram a tal fotografia? e..?e .. já pensaram no q lhe vão perguntar qdo ele for lá à escola??bjis
16 de Fevereiro de 2009 21:04
Adélia disse...
Pelas 315 páginas que já li do 'Cemitério de Pianos', acho que valeu a pena o tempo que demorei, pois o JLP é 'tão fofinho' na maneira como escreve. Fundamento isto com o facto de usar uma personagem real como base da sua história e conseguir criar um enredo a partir daí. Achei isso bastante interessante: a história começar a tornar-se real, mesmo sabendo que era ficção. Bjs***
17 de Fevereiro de 2009 15:02
Ruben disse...
Não acertou em nada. o melhor é ler o livro, se não daqui a nada já está a fazer concorrência ao JLP xD
17 de Fevereiro de 2009 15:45
al disse...
1º para a Adélia:'fofinho', o JLP será, com certeza.. agora .. isso de 'criar' um personagem e dar-lhe vida é o q é suposto os escritores fazerem, n'est-ce pas?:-) claro que ele fá-lo muito bem, com muita coerência, e aí acho q tens toda a razão, quase q nos tornamos íntimos deles, ñ é?
17 de Fevereiro de 2009 17:49
Paula . disse...
Olá stora :) O livro que estou a ler é o "Cemitério de Pianos " . Até agora está a ser interessante e estou a gostar da obra, pois o autor tem uma maneira de escrever muito própria, nunca tinha lido nenhuma obra com essas características. É um livro grande mas fácil de ler. Tchau, Bjinhos. :D
17 de Fevereiro de 2009 21:18
al disse...
Que bom estares a gostar, Paula! Eu tb gostei muito, dos personagens, da escrita poética, da ternura subjacente.. Fiquei foi um tanto baralhada com aqueles 'capítulos' interrompidos, que continuam 3 ou 4 folhas depois. Às tantas já ñ sabia quem era quem. Afinal quantos narradores tem este romance? 2? 3? Senti necessidade de fazer uma árvore genealógica para me 'situar'... senti necessidade, mas ñ fiz :-)) e, apesar das baralhações, fui lendo, lendo, sem conseguir parar, até ao fim .. assim são os escritores 'maiores', que nos agarram 'malgré tout'.. Certo, certo, é que gosto IMENSO desta troca de ideias convosco!bjis
17 de Fevereiro de 2009 21:48
Edu1992 disse...
Bom dia, já comecei a ler o meu livro, que é "o cemitério de Pianos" e até acho o livro interessante até a pagina 100. A partir daí, o autor começa a misturar muitas histórias, o que dificulta a leitura. Mas o livro em geral é interessante
24 de Fevereiro de 2009 9:12
al disse...
É verdade, tb achei. no 'cemitério..' ele adopta uma 'arrumação' inspirada n1 livro de q falo no post, viste? eu recomendaria ir pondo umas notas de rodapé (coisa q eu ñ fiz, mas de que dp senti falta), do tipo: continua na pág. tal ... ;-)) Apesar de tudo, acho q o livro se lê até ao fim com prazer, mesmo q nos escape alguma lógica. Fico contente por estares a gostar.. o Anexi é q, pelos vistos ...:-D
13 de fevereiro de 2009
José Luís Peixoto
o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava.
era a tua voz que dizia as palavras da vida.
era o teu rosto.
era a tua pele.
antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
mais sobre este escritor, aqui
postado por ana lima
9 de fevereiro de 2009
trova do vento que passa-versão Amália
Pergunto ao vento que passa
Pergunto aos rios que levam
Tanto sonho à flor das águas
Os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.2x
Levam sonhos deixam mágoas
Se verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Que morro por meu país. 3x
letra de Manuel Alegre ; música de Alain Oulman (som na imagem)
Mas porque, a par dos cantores e fadistas que entretinham (ainda que magistralmente) havia, mais ou menos na mesma época, os outros, os que intervinham (chamados cantores de intervenção), este mesmo poema, do mesmo Manuel Alegre, tem, cantado, duas versões distintas. Numa, a que aqui consta, incluíram-se apenas as primeiras 4 quadras, onde se 'choram' mágoas difusas, inexplícitas, mais ou menos inócuas: poderiam ser coitas de amor, saudade porque sim. A outra versão dispensa a 'modorra' das estrofes do meio. Aponta razões, culpas, caminhos. Vai descendo num libelo acusatório, cada vez mais fundo, cada vez mais clamor, cada vez mais, outra coisa.
al
3 de fevereiro de 2009
Alfred Gockel
uma galeria com a sua obra, e um minuto e meio de imagens:
al
surpresa 2
adivinhem quem apareceu por aqui .. again .. têm de ir aos comentários ..
ao lado, 'moved by the music', de alfred gockel
al
1 de fevereiro de 2009
no me llames extranjero
Partindo destas declarações do escritor Valter Hugo Mãe , aqui vos deixamos um vídeo comovente, com a música e a voz poderosa do cantautor e poeta argentino Rafael Amor (no nome, site oficial; biografia em espanhol aqui) :
no me llames extranjero
tradução do poema, aqui
e a conhecidíssima canção clandestino, de Manu Chao
al
31 de janeiro de 2009
Prémio Europa-David Mourão-Ferreira 2008
Jacinto Lucas Pires foi distinguido coom o Prémio Europa-David Mourão-Ferreira 2008 pela sua obra Assobiar em Público. O livro é uma recolha de 22 contos, alguns dos quais inéditos, de Jacinto Lucas Pires.Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto em 1974. Vive em Lisboa. Em dez anos publicou quatro livros de teatro, cinco livros de ficção e um de viagens.
O prémio conta com o patrocínio do Instituto Camões, da Universidade de Bari, da Câmara de Bari, da Região Apúlia, do Banco Unicredit e de outras Entidades italianas e estrangeiras. Este ano, presidiu ao júri Eduardo Lourenço.
a nova geração de escritores portugueses: aqui
postado po al
John Martyn
aqui, noutra versão: o mesmo cantor??!! agradecem-se esclarecimentos..
al
29 de janeiro de 2009
as paixões, os livros: o apocalipse dos trabalhadores
acabei de ler o apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe (pois.. tudo em letra pequena, que ele não gosta de maiúsculas!:-)). tempo, então, de me sentir órfã, como sempre acontece depois que uma obra maior me agita e desassossega, me preenche, me adopta. - não sei se é a fluidez da escrita, o registo oral parecendo fácil assim transposto, a natural integração dos diálogos, numa técnica que me soa ‘saramaguiana’.
- o carácter agridoce dos seus personagens, tão vulgares, simultaneamente, tão sublimes.
- a criatividade, a imaginação deliciosamente delirante.
- ou se é a transgressão formal, a pontuação reduzida ao mínimo, praticamente só vírgulas e pontos.
- será antes, talvez, a capacidade invulgar de elevar um quotidiano cinzento a uma claridade de nuvens. de transportá-lo ainda além, até às portas do céu: uma praça pejada de vendedores ambulantes (uma rebaldaria), onde a maria da graça espera grita insulta desespera, e o são pedro, casmurro: vai-te embora, mulher, não entendes que não vale a pena morrer de amor.
- será, também, o desfazer da lógica que, simples, se torna evidência incontornável. ou o humor posto assim, naturalmente, na ‘pessoa’ de um cão chamado portugal: cala-te, palerma, onde é que já se viu um país a ladrar.
- ou então, o amor a-final da quitéria tornada indefesa pelo toque desse homem que se desiste máquina, desse jovem ucraniano (sete milhões de mortos de fome nas décadas de 20 e 30 do século vinte, sabiam? ..), desse andriy filho de ekaterina farol-casa-parede-mestra, cansada ekaterina, ekaterina desmaterializando-se, andriy filho de sasha-louco: imagina-me sorrindo, filho.
- os personagens expondo-se, inteiros, e nós entrando-lhes dentro. e eles insinuando-se, entranhando-se. e corrompendo-nos, como o maldito-amado-senhor-ferreira à mulher-a-dias maria da graça: ensinando-lhe goya, os artistas que são capazes até de surpreender o criador. e o requiem de mozart, o volume posto no máximo, anunciando-lhe a despedida, emoldurando-lhe a final celebração.
só a paixão pode, num momento de afinidade com a vontade de deus, resultar numa obra tão impossível, e isto é fernando pessoa. ou, como diz o próprio vhm, "uma escrita por dentro da pele". é esse, certamente, o segredo, o fascínio deste romance. isso, e o amor imenso que dessa escrita se desprende. a cada folha lida, partilhada, volatilizando-se. contaminando-nos. porque o amor não cabe quieto no espaço tão pequeno que é o corpo de uma mulher. no de um livro também não.
obrigada, valter hugo. e que venha um romance novo, depressa, urgentemente.
uma entrevista ao autor, aqui
al
2 poemas de Sophia
DATATempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
PORQUE
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


