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17 de novembro de 2008

'chocolate' em Madrid

Hoje, 17 de Novembro, terá lugar em Madrid, ainda e sempre no âmbito da VI Mostra, o concerto de Maria João e Mário Laginha, na Sala das Colunas do Círculo de Belas Artes.

A dupla portuguesa regressa assim ao contacto com o público espanhol, ao fim de um interregno de cerca de dois anos.

O espectáculo de hoje contará já com o repertório do seu novo trabalho: Chocolate, editado este mês em Portugal.

«O que nos une é o amor puro, pela música e um pelo outro, por isso escolhemos o nome Chocolate", explicou Maria João. Para a cantora, que “adora chocolate”, “a música é muito saborosa, é como se os sons fossem bocadinhos de chocolate».


Não é ainda o sabor de 'Chocolate', mas a degustação de uns momentos delirantes na Aula Magna de Lisboa, ao vivo:

Maria João e Mário Laginha - Tralha


postado por ana lima

12 de novembro de 2008

Zeca Afonso, homenagem em Madrid

Curtindo uma gripe e a nostalgia, aqui fica um post recheado de boas músicas. Vão clicando, e deliciem-se ...

ASP – Lusa - JN- Madrid, 11 Nov (Lusa) - Os 20 anos da morte de Zeca Afonso serviram na passada segunda-feira à noite de pano de fundo para um debate em Madrid (no âmbito da VI Mostra da Cultura Portuguesa - post 27 out) sobre o papel da música nas transições para a democracia em Portugal e Espanha. O debate foi protagonizado, entre outros, pelos músicos Luis Pastor e Júlio Pereira.

Luis Pastor (clicar para ouvir: 'cantautor extremeño' -lindo!) , o músico espanhol que mais cantou Zeca Afonso - e que também se tornou famoso pela sua obra política e de intervenção - recordou que
"Havia muitos músicos e muitos artistas espanhóis que não conheciam Zeca Afonso e a sua obra. "
"Mas quem ouvia pela primeira vez, a lírica, a música, enamorava-se", recordou (clicar aqui para ouvir: Canção de embalar).
"Acabou por ter um impacto tremendo tanto entre os músicos espanhóis como entre o público. E acabou por ser a porta de entrada para se conhecerem outras vozes portuguesas da altura", disse. [clicar aqui - post 25 Abril 08- para ouvir uma selecção da melhor música que por cá se fazia]

Para Luis Pastor, "numa época em que a música começou a ser vista como uma arma, Zeca Afonso surge como referencial obrigatório, a nível moral e de compromisso" - tanto no espaço ibérico, como fora dele. "Era um homem contra a corrente, mas que recuperava a canção popular, um professor, um pedagogo", sublinhou.

"Tudo é redutor quando se fala de Zeca Afonso", acrescentou o músico português Júlio Pereira (clicar no nome para ouvir uma actuação espantosa!), destacando a vontade de José Afonso de exportar o que era a cultura portuguesa para outros espaços.

João de Melo (clicar nas palavras sublinhadas), 'pai' da Mostra Portuguesa e conselheiro cultural da embaixada de Portugal em Madrid, (clicar também aqui para ver programa, em pdf), rematou o debate recordando a importância que Zeca Afonso teve na formação da consciência de todos os portugueses, tanto dentro como fora do mundo da música. "Cada um de nós tem uma história pessoal com Zeca Afonso, e hoje não me imagino a olhar para Portugal, para o que aconteceu nas últimas décadas, sem incluir Zeca Afonso", disse.

aqui
, aquela que é uma das suas músicas mais emblemáticas
a letra: aqui, em rascunho (pelo próprio) , e aqui

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido como José Afonso (clicar aqui para ver animação e música, lindíssimas, as 2 -post de 25 Out) ou Zeca Afonso, foi um dos mais importantes cultores do fado de Coimbra e tornou-se depois o maior símbolo da canção de intervenção contra o regime político que se vivia em Portugal. "Um homem que", nas palavras de Júlio Pereira, "foi muito mais do que músico. Um homem que conhecia e queria saber do mundo, que era genuinamente humano. Que gostava mais das pessoas que da música"

José Afonso: Balada de Outono

a.l.

27 de outubro de 2008

VI Mostra da cultura portuguesa

Começou hoje, oficialmente, o maior evento anual de divulgação da cultura portuguesa além fronteiras. Acontece em Espanha e, desde a sua 1ª edição, em 2003, não tem parado de crescer - em qualidade, quantidade de ofertas e abrangência geográfica: há várias cidades espanholas, para além de Madrid, a acolherem exposições, concertos, encontros literários. Tanto assim, que é o próprio ministro da Cultura espanhol a dizer que "o balanço cultural entre os dois países pende agora, claramente, a favor de Portugal".

"Das artes plásticas à música, do cinema à literatura, do debate poético ao pensamento político, do humanismo universitário à gastronomia", tal é o âmbito deste "festival de artes, letras e ideias". (JM)

A Mostra (clicar para ver mais informação) tem um mentor, 'artífice', quijote: o escritor e actualmente Conselheiro Cultural da embaixada de Portugal em Madrid, João de Melo. (clicar)

Citando-o a partir de uma entrevista que deu ao JL de 22 de Outubro:

« Em 2003, quando a criámos, era apenas uma 'semana portuguesa' de quatro dias. (...) Este ano terá uma amplitude temporal superior a um mês e meio, incluindo as itinerâncias.»

«A cultura é uma imagem que pode induzir atitudes e procedimentos não inscritos no imaginário de uma relação ibérica pouco assídua ou atribulada. Importa deixar obra feita num país, a Espanha, que é a nossa primeira prioridade europeia em todas as frentes, sem excluir a estratégia cultural.»

«(...) esta dinâmica permitiu acabar de vez com o mito de dois países de 'costas voltadas' ou 'de espaldas'.»


postado por ana lima