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29 de janeiro de 2009

2 poemas de Sophia

DATA

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça




Sophia e escritores seus contemporâneos, aqui


PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



no desenho: link para uma entrevista
al

9 de janeiro de 2009

coerências, re(de?)sistências

um dia depois de, no parlamento, terem sido, de novo, 'chumbadas' as propostas de suspensão do presente modelo de avaliação de professores, a palavras a duas Pessoas verticais:

Sophia de Mello Breyner, Este é o tempo:

Este é o tempo
Este é o tempo

Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.


José Afonso, Os Eunucos:

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos haréns os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos, pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dono a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos, pedem mais!

al

11 de março de 2008

concurso -pergunta 5

  • "Porque" * é o título de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, um vulto maior da cena poética portuguesa.

  • “Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda de uma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso”

    * 'Porque' e outros poemas: http://www.astormentas.com/andresen.htm
  • Sophia de Mello Breyner é também autora de textos em prosa, nomeadamente Contos Exemplares (1962), Histórias da Terra e do Mar e os contos para crianças A menina do Mar e O Cavaleiro da Dinamarca.

  • Nascida no Porto, de origem dinamarquesa pelo lado paterno e educada num meio aristocrático, esteve desde muito cedo ligada à luta antifascista. A aspiração à liberdade e à justiça impregnaram toda a sua obra, como uma ética poética que lhe fosse natural. Sophia viu a sua carreira consagrada com o Prémio Camões, em 1999.
    Faleceu em 2 de Julho de 2004. Na sua lápide, está escrito:

"Quando eu morrer voltarei para buscar

os instantes que não vivi junto ao mar."

in http://www.leme.pt/biografias/portugal/letras/sophia.html



postado por ana lima