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29 de janeiro de 2009

2 poemas de Sophia

DATA

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça




Sophia e escritores seus contemporâneos, aqui


PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



no desenho: link para uma entrevista
al

17 de janeiro de 2009

quantos seremos?

QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga, Câmara Ardente

al
quadro: Alfred Gockel

4 de novembro de 2008

poesia: Mário Cesariny

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny


postado por ana lima

25 de outubro de 2008

música portuguesa: Redondo Vocábulo

animação 3D para o tema "redondo vocábulo" de José Afonso. Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar.

lindíssimas, comoventes: a música, a animação, a voz do Zeca provocando/evocando arrepios na alma ..

letra e música: Zeca Afonso: Era um Redondo Vocábulo
animação: Eurico Coelho

letra aqui

postado por ana lima

17 de outubro de 2008

2 poemas de Eugénio de Andrade

Para desanuviar das canções (:D), outra música, agora: a da poesia.
O Eugénio de Andrade é, talvez, o meu poeta preferido ... Podem ler/ver mais coisas dele [têm de o procurar e seguir os links] - aqui
Vejam se gostam e deixem um comentário, ok, sweeties?:D
E ... sugiram também poetas, romancistas, livros, gente de ideias !!


AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas,
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?



URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Se gostaram, podem ler mais poemas aqui ... e ... aqui

postado por ana lima

15 de março de 2008

Concurso- pergunta 6

Dado o grande entusiasmo e participação dos alunos vamos dar continuidade ao concurso de autores portugueses, iniciado na semana da leitura. O passatempo decorrerá até ao dia da escola, altura em que divulgaremos os vencedores( alunos com maior participação e maior número de respostas correctas).


Nesta última semana foi publicada a questão 6 sobre a poesia de Luiza Neto Jorge. Foi muito interessante ver a forma como alguns alunos procuraram a resposta pesquisando no catálogo digital da BE.


Conheça alguns dos seus poemas em:
http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/luiza_neto_jorge/poetas_luizanetojorge01.htm

Postado por: Rosário Lopes