'a morte saiu à rua', a canção; o pintor, assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961, é José Dias Coelho, pai de Teresa Dias Coelho, a autora de "pain 6", no post Pablo Neruda, "estar vivo".
Em baixo, uma linogravura de José Dias Coelho: a morte de Catarina Eufémia(clicar para ouvir: a canção do Zeca que mais me emociona)
Curtindo uma gripe e a nostalgia, aqui fica um post recheado de boas músicas. Vão clicando, e deliciem-se ...
ASP – Lusa - JN- Madrid, 11 Nov (Lusa) - Os 20 anos da morte de Zeca Afonso serviram na passada segunda-feira à noite de pano de fundo para um debate em Madrid (no âmbito da VI Mostrada Cultura Portuguesa - post 27 out)sobre o papel da música nas transições para a democracia em Portugal e Espanha. O debate foi protagonizado, entre outros, pelos músicos Luis Pastor e Júlio Pereira.
Luis Pastor(clicar para ouvir: 'cantautor extremeño' -lindo!) , o músico espanhol que mais cantou Zeca Afonso - e que também se tornou famoso pela sua obra política e de intervenção - recordou que "Havia muitos músicos e muitos artistas espanhóis que não conheciam Zeca Afonso e a sua obra. " "Mas quem ouvia pela primeira vez, a lírica, a música, enamorava-se", recordou (clicar aqui para ouvir: Canção de embalar). "Acabou por ter um impacto tremendo tanto entre os músicos espanhóis como entre o público. E acabou por ser a porta de entrada para se conhecerem outras vozes portuguesas da altura", disse. [clicar aqui- post 25 Abril 08- para ouviruma selecção da melhor música que por cá se fazia]
Para Luis Pastor, "numa época em que a música começou a ser vista comouma arma, Zeca Afonso surge como referencial obrigatório, a nível moral e de compromisso" - tanto no espaço ibérico, como fora dele. "Era um homem contra a corrente, mas que recuperava a canção popular, um professor, um pedagogo", sublinhou.
"Tudo é redutor quando se fala de Zeca Afonso", acrescentou o músico português Júlio Pereira(clicar no nome para ouvir uma actuação espantosa!), destacando a vontade de José Afonso de exportar o que era a cultura portuguesa para outros espaços.
João de Melo(clicar nas palavras sublinhadas), 'pai' da Mostra Portuguesa e conselheiro cultural da embaixada de Portugal em Madrid, (clicar também aqui para ver programa, em pdf), rematou o debate recordando a importância que Zeca Afonso teve na formação da consciência de todos os portugueses, tanto dentro como fora do mundo da música. "Cada um de nós tem uma história pessoal com Zeca Afonso, e hoje não me imagino a olhar para Portugal, para o que aconteceu nas últimas décadas, sem incluir Zeca Afonso", disse.
aqui, aquela que é uma das suas músicas mais emblemáticas
a letra: aqui, em rascunho (pelo próprio) , e aqui
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido como José Afonso(clicar aquipara ver animação e música, lindíssimas, as 2 -post de 25 Out) ou Zeca Afonso, foi um dos mais importantes cultores do fado de Coimbra e tornou-se depois o maior símbolo da canção de intervenção contra o regime político que se vivia em Portugal. "Um homem que", nas palavras de Júlio Pereira, "foi muito mais do que músico. Um homem que conhecia e queria saber do mundo, que era genuinamente humano. Que gostava mais das pessoas que da música"
animação 3D para o tema "redondo vocábulo" de José Afonso. Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar.
lindíssimas, comoventes: a música, a animação, a voz do Zeca provocando/evocando arrepios na alma ..
letra e música: Zeca Afonso: Era um Redondo Vocábulo animação: Eurico Coelho
A crónica começa assim: «Há vinte anos» (agora seriam 34!!!) « em vésperas do 25 de Abril, Portugal era um país anacrónico.» (...)
No vídeo abaixo, imagens do 'Portugal anacrónico' , resultado da ditadura de Salazar e da 'filosofia' dos 3 Fs: Fado, Futebol e Fátima - "O povo quer-se analfabeto"...
Queixa das almas jovens censuradas
letra: Natália Correia; música e voz: José Mário Branco
Depois, vem o relato dos acontecimentos que foram precursores daquela que viria a ser conhecida como "A Revolução dos Cravos" - começando no dia 22 de Fevereiro de 1974, em que é publicado um livro decisivo, até às 22:55 de 24 de Abril, em que « ... uma canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, marca o início das operações militares contra o regime. »
É, no entanto, outra canção, também ela usada como código pelos capitães revoltosos, que virá a tornar-se num dos símbolos da Revolução: Grândola Vila Morena, de José Afonso:
vídeo de Zeca Afonso no Coliseu (29 de Janeiro de 1983)
quando já estava muito doente (última aparição num espectáculo)
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO) nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929. Morreu no hospital de Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.
Zeca - por ele próprio:
«Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão seja a que nível for.»
«Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político, como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alíbis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta.»
«Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá! »
em entrevista publicada originalmente no semanário Se7e de 27.11.1985